Kwibuka: 22 anos do Genocídio de Ruanda

Depois de algum tempo sem postagens no blog (sim, totalmente minha culpa, me desculpem por isso), quero cumprir com o que eu disse em relação ao especial visita ao Kigali Genocide Memorial

E por que logo hoje? Hoje, 7 de abril, é comemorado o genocídio de Ruanda. Sim, eles usam a palavra comemoração como uma forma de celebrar, relembrar e unir os ruandeses nesta data a qual começaram os atos genocidas. Kwibuka significa lembrar, em Kinyarwanda (língua nacional), representando a ideia de lembrar para nunca mais acontecer o genocídio #neveragain.
A sensação que eu senti nessa semana (a qual caiu a ficha que mais um 7 de abril chegou) foi estranha. Há um ano atrás eu estava postando sobre as comemorações e sempre pensando: nossa, queria estar lá para saber como é (mesmo não sendo recomendado, por exemplo, pelo Governo Britânico, de visitar Ruanda nesse período, por conta da instabilidade das comemorações) e, depois de um ano, me vem a mesma sensação de querer estar presente em um 7 de abril mas eu me sinto mais completa do que antes.
O contato com ruandeses, ouvir histórias da perda de familiares, amigos me fez aproximar mais ainda de como foi aquela realidade há 22 anos atrás, em 1994. Isso também me fez refletir que há dois lados da moeda. Como o professor Bert Ingelaere retrata em um dos seus artigos, há também a história dos hutus que, muitas vezes, não é passada com o discurso único do genocídio contra os Tutsis.
Falando um pouquinho sobre a minha visita ao Memorial, como eu recebi o apoio de vocês no Catarse pensei em fazer uma visita completa (com direito a tirar fotos e a receber um aparelho para ouvir os áudios: 20 dólares – estudante) para passar um pouquinho de como é o Memorial. O que eu senti foi o que eu falei anteriormente, o perigo da história contada por um lado apenas. A visita é, sem dúvidas, enriquecedora, especialmente por trazer fontes diversas (o que se passava na mídia, na ONU e em outros locais na época; imagens, vídeos).

Como vocês podem perceber, o Memorial é dividido por seções, em ordem cronológica. Caso você visite e pegue o aparelho para escutar os áudios, a cada número é contado mais detalhes sobre a seção. A seção das fotos foi a que mais me marcou. Ver fotos, mensagem de familiares aproxima mais quem está visitando das pessoas que se foram. Fiquei mais tempo nessa seção do que em qualquer outra. É realmente impactante.

 Além do genocídio de Ruanda, há seções sobre outros genocídios (Armênia, Camboja, Judeus, dentre outros), o que eu achei bem informativo, bacana e eu não sabia da existência dessa seção.

Além da seção das fotos, uma seção que partiu meu coração foi a das crianças que morreram no genocídio. Eles reproduziram o perfil delas (nome, idade, do que gostavam) em uma pequena salinha iluminada. Ah, meu coração doeu tanto, só pensando em como essas crianças seriam hoje em dia, pensando nas pessoas que eu conheci no hostel (funcionários) e que passaram por isso quando eram ainda crianças.

Essa parte já mostra alguns que tiveram a sorte de conseguir sair do cenário do genocídio e ter um futuro.

Além da parte das fotos (seções internas) ainda há as seções externas, em forma de jardins, o local onde há a celebração do genocídio, os caixões e adjacências.

Após a visita eu assisti o filme Shooting Dogs, baseado em fatos reais, o qual me fez chorar muito. Foi um golpe: a visita e o filme no mesmo dia me fez refletir como isso aconteceu, como isso se perpetuou por 100 dias 😦 O filme retrata uma escola técnica, em Kigali (e essa escola ainda existe, mas não cheguei a visitar), de como as tropas belgas se retiraram após a morte de capacetes azuis belgas e de como as pessoas (em sua maioria tutsi) morreram na escola por conta da retirada da tropa da ONU.

Bem pessoal, o post ficou grande, eu sei. Mas era necessário eu mostrar um pouquinho para vocês de como foi a visita, o dia denso em Kigali. Espero que vocês tenham gostado e, para saber mais sobre as minhas impressões do dia, eu gravei um vídeo um dia após a visita + filme e postei no My Ruanda Brasil.

Remember, Unite, Renew. #gorwanda #myruanda #neveragain

Um comentário sobre “Kwibuka: 22 anos do Genocídio de Ruanda

  1. Pingback: #Kwibuka25: Nunca Mais – My Ruanda Brasil

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s