Sobre a minha volta de Ruanda há 3 anos.

12/12/2015 – Há três anos eu voltava de Ruanda com o coração partido de estar indo. Deixava amigos, descobertas que tinha feito e trazia um coração cheio de esperança, alegria e gratidão.

Começo com um texto do meu Instagram pessoal que fala um pouco do meu sentimento:

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“Há exatamente 3 anos eu estaria voltando de Ruanda. 12 de dezembro de 2015.
#$%&*#@, quando eu vi o lembrete com uma foto de 3 anos atrás, meu coração chega estremeceu. Como o tempo passa rápido, quanta coisa aconteceu!
Me senti triste por deixar tanto tempo passar e não voltar ainda; ao mesmo tempo me senti feliz porque hoje eu estou mais madura do que eu fui, mais motivada e segura do que eu quero fazer.
.
Ontem foi o dia da minha participação na Mostra de Cinemas Africanos, contando a minha experiência como acadêmica negra. Esse vestido que eu tô usando eu comprei em Ruanda. Que coincidência linda essas datas colidirem-se? ❤️ Que saudade!”

Que saudade! Que saudade, que saudade de toda a experiência que eu tive em Ruanda até ter ficado doente, rs, mentira! Voltar foi muito doloroso porque eu estava cansada, muito cansada pela diferença de comida, de estresse por causa da coleta de dados…então queria ir pra casa, mas não queria completar minha experiência lá, parece que eu não tinha aproveitado ao máximo possível.

Lembro muito do dia 12/12. Do sentimento de ir embora, da despedida do pessoal do hostel. De chorar no táxi a caminho do aeroporto. De chegar naquele aeroporto vazio para deixar aquele país que estava em meus sonhos.

Parti para a Bélgica sem muita vontade de dialogar. Mas me sentia diferente, me sentia confiante. Sentia que esse momento com pessoas parecidas comigo (negras) me deixou mais confiante, mas segura de mim, porque a atmosfera em Ruanda era muito diferente dos estereótipos que se pregam em nossa sociedade doentia e com um racismo estrutural.

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Voltando da Mostra de Cinemas Africanos. Dezembro, 2018.

Me senti querida sem ter que “fazer força’ para provar que valia a pena ser querida, mesmo sendo negra – ou seja, isso reflete a tamanha força que temos que fazer todo o santo dia para que as pessoas nos respeitem, para que as pessoas não nos rotulem meramente por causa da cor de pele. Ruanda me deixou relaxada nesse aspecto, me deixou viva, me deixou feliz.

E eu quero voltar para lá para renovar isso, para eu poder trazer esses ensinamentos para outras pessoas, outras meninas, mulheres que com certeza também passam por isso. Como teve uma vez em um texto no Facebook que eu compartilhei, às vezes cansa ter que lutar todo o santo dia por causa disso.

Mas eu me inspiro para lutar todos os dias não só por mim, mas pelas meninas/mulheres que me acompanham nesta luta.

Go Rwanda, My Ruanda. cropped-c3adndice.png

 

2 comentários sobre “Sobre a minha volta de Ruanda há 3 anos.

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