Sobre Memórias da Plantação – Grada Kilomba

Um livro que muitas pessoas tinham me indicado e só agora tive a oportunidade de ler. E que incrível que ele é, não tem como não ler e se identificar.

O ano de 2020 foi difícil. Mas o que eu tive de bom foram as leituras que eu fiz ao longo dele. Até agora foram 30 livros lidos, um dos anos que mais li livros completos em toda a minha vida. E eis que me deparei com as leituras de feminismo negro, pós-colonialismo e negritude. Foram as que me deram alicerce para seguir adiante nesse ano tão sombrio.

Mas vamos falar sobre o livro de Grada Kilomba, Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano. O livro tem o objetivo de mostrar como o colonialismo se renova a cada dia por meio de atitudes racistas do dia-a-dia. Políticas espaciais, do cabelo, da pele e sexuais são alguns dos capítulos em que Grada vai relatar, por meio de entrevistas, a nojeira do que é passar por esse tipo de situação e como a supremacia branca se vê abalada pela perda dos seus dias áureos do colonialismo.

Bebendo de referências como Fanon, Grada desenvolve sua pesquisa no campo da psicologia, estabelecendo um paralelo em que o homem branco coloca suas frustrações no Outro, sendo o seu lado horrível. Daí estabelecemos uma dicotomia entre o sujeito (branco) e o Outro (negro): moderno-primitivo, limpo-sujo e assim por diante. Assim como Fanon, Grada questiona o lugar do negro como Outro e nos convida (nós, negros) a fazer um caminho diferente, em busca de ser o sujeito da história por meio da descolonização do eu.

O livro não tem muita conexão com o recorte da minha tese, mas perpassa o aporte teórico que eu quero trabalhar, então algumas passagens do livro eu utilizei na introdução, como a necessidade de descolonizar a produção de conhecimento em um ambiente extremamente eurocentrado, a questão de se fazer determinadas perguntas para colher as respostas que lhe correspondem, dentre outros aspectos.

Eu recomendo muito o livro, não somente por um viés acadêmico, mas para uma perspectiva de vida que talvez não seja a sua. As vezes vivemos em nossas bolhas cotidianas que não entendemos as realidades de outras pessoas e também não buscamos ferramentas para descolonizar práticas que já estão intrínsecas em nossa forma de falar, agir, pensar. Precisamos buscar outras referências que possibilitem reflexões e visibilização de histórias, falas de outras pessoas. Precisamos descolonizar a mente. Grada pode ser um bom início.

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  1. Pingback: Sobre encontrar minha ancestralidade – My Ruanda Brasil

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