Sobre a dificuldade de tirar projetos do papel

E em um mar de sentimentos, você encontra ideias tão incríveis que dariam ótimos projetos. Mas como tirar da cabeça ou do papel?

Essa é uma grande pergunta, que eu ainda estou em processo de descobrir a resposta. Eu tenho muitas vontades, talvez algumas não se convertam projetos. Tenho alguns projetos, mas talvez eles não sejam executáveis no contexto que estamos vivendo por N motivos. De qualquer forma, é uma dificuldade tirar uma ideia da cabeça/papel! As vezes não temos tanta vontade assim (por justamente pensar que não é executável), por sei lá, insira a razão que vier na sua mente). E vem um mix de emoções, porque às vezes temos tudo e não temos nada.

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Qual método você usa para organizar suas ideias? |Photo by Startup Stock Photos from Pexels

Às vezes não temos pessoas pra executar isso. É, meus caros, nem tudo dá pra executar sozinho. Uma das coisas que me prende de executar projetos é justamente isso. Seria tão lindo encontrar alguém com quem compartilhar ideias, compartilhar experiências e poder colocar em prática sonhos juntos! Sempre me vem essa vontade, mas parece que ainda não encontrei pessoas que se interessem pelo o que eu estou fazendo/quero fazer ou simplesmente não estão a fim de desenvolver algum tipo de projeto. É complicado.

Não vou mentir que para tirar o My Ruanda do papel (2014), eu tive a ajuda do meu ex-namorado, ou seja, uma pessoa que via a vontade que eu tinha de criar algo, mas não tinha coragem de colocar em prática. Hoje eu já estou mais calejada, e eu sempre penso que não dá pra ficar parada se a vontade é tamanha, queima por dentro, me sinto viva. Viva, isso…isso que eu preciso. E é assim que eu me motivo para tentar as coisas, mesmo com toda a insegurança do mundo de dar errado, de não atingir minhas expectativas, de sei lá, não dar em nada.

Mas eu sigo mesmo assim. Como eu segui com o My Ruanda mesmo aos trancos e barrancos nesses 5 anos. E hoje eu olho pra esse espacinho aqui e tenho o maior orgulho. E espero inspirar pessoas e ser inspirada nesse processo de autoconhecimento, construção de carreira e projetos, que é o My Ruanda Colab. E é isso, quem quiser vir junto comigo, vou ser extremamente feliz, senão, sigo o meu caminho com toda a felicidade do mundo de estar fazendo o que eu gosto: construindo pontes.

Go Rwanda, My Ruanda!

[Live Instagram] Sobre falar com uma ruandesa no Brasil

E nesses encontros e reencontros da vida, eis que encontramos uma ruandesa vivendo no Brasil!

Axana Uwimana
Axana Uwimana | Foto: acervo pessoal

A nossa entrevistada se chama Axana Uwimana, 26 anos, formada em Serviço Social pela Universidade Católica Dom Bosco (MS) e atualmente mora em Campo Grande.  Gosta de bastante cultura, de arte, música, teatro e dança populares.

Como vocês vão ouvir no vídeo, a Axana é nascida em Ruanda, mas não teve contato com a guerra. Suas palavras transmitem a sobrevivência de sua família e como ele se adaptam no contexto brasileiro. Então, o intuito da entrevista é justamente saber um pouquinho mais da história dela, como se inseriu na sociedade brasileira, curiosidades da ida para Ruanda e seus sentimentos em relação à Brasil e África.

Tenho que confessar que pra mim foi um encontro virtual lindo, porque ela tem uma energia incrível e super aberta para conversar de qualquer tema com as pessoas. Realmente eu fico feliz de ter concretizado essa entrevista com ela e de poder compartilhar com vocês em primeira mão!

Para quem não teve a oportunidade de assistir ao vivo a entrevista concedida pela Axana Uwimana no Instagram do My Ruanda, gravamos o áudio/vídeo da nossa conversa e disponibilizamos por aqui.

Obs: A partir do minuto 3:08 que temos áudio, desculpa pela falha técnica!

Se alguém quer fazer alguma pergunta para ela, deixa nos comentários que a gente te retorna!

Go Rwanda, My Ruanda! ❤

[Confissão] Sobre ansiedade e a arte do Coronavírus de mudar todos os planos

Quando toda a vida está planejada e o Coronavírus chega, a gente percebe que a gente não controla mesmo é nada.

Preciso escrever meus capítulos, preciso fazer minha pesquisa de campo em Ruanda. Foi quando a ansiedade começou a intensificar. Eu já estava em um confinamento técnico quando meus amigos foram embora de um mês de fevereiro maravilhoso e que eu sabia e entrei em uma imersão profunda a escrever meus capítulos da tese. Estava atrasada.

Ficava mais tempo dentro de casa do que fora para adiantar o que dava adiantar antes de fazer a pesquisa de campo, estava tentando me animar porque é meu último ano de doutorado. Último. Não dá pra brincar agora, realmente preciso escrever essa pemba. Só que de umas semanas para agora o contexto externo mudou. O que eram a princípio suspeitas passaram a ser casos, o que eram casos, passaram a ser mortes. O pânico se instalou. Eu entrei em pânico.

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Quando isso vai acabar? | Photo by cottonbro from Pexels

Ficar isolada para alguém que tem ansiedade não é nada fácil, imagina para alguém que tem ansiedade e ainda tem prazos. Imagina para alguém que não estava tão mentira, não estava MESMO motivada a voltar para sua cidade natal e ficar em confinamento. Crises de ansiedade a noite, volto a estudar pela manhã. Crises de ansiedade a noite, volto a estudar pela manhã. Tenho a ideia do My Ruanda Colab, tenho um pouquinho de esperança de conhecer novas pessoas e nos ajudar mutuamente, volto a estudar de manhã.

Já li inúmeros posts sobre o que fazer na quarentena, muitas das coisas eu não me animo em fazer. Tenho estudar, não consigo me concentrar; tento ler livros interessantes, fora do meio acadêmico, não consigo me concentrar. Sigo com minha terapia, que bom! Tento ver séries, não consigo parar; tento ver os materiais do My Ruanda Colab, aí eu consigo me concentrar um cadinho. Comecei a fazer Yoga online, aí eu me animei um pouquinho (Canal da Pri Leite, dá uma conferida). E tenho seguido nessa rotina diária, alternando um pouco das coisas.

Eu agradeço imensamente por não estar sozinha fisicamente e online, porque eu acredito que seria ainda pior lidar com essa situação. E gente, não está sendo nada fácil para ninguém, isso eu tenho certeza.  Mas é isso, a esperança de que tudo isso vai passar é a que fica. E eu vou fazendo o melhor que eu posso para lidar com a situação e tentando ser gentil comigo mesma, não exigindo a produção tão esperada como é na academia.

E me ofereço para estar caminhando com vocês, seja pelo My Ruanda Colab ou por conversas no privado, ou com qualquer coisa que seja.

Sobre minha primeira consultoria no My Ruanda Colab

E tenho que ser sincera: a vida é mais linda compartilhando conhecimento e experiências de vida com outras pessoas.

Quinta-feira, 19 de março de 2020. Lancei o projeto My Ruanda Colab. O que seria isso? Um projeto de consultoria que há anos queria fazer, mas pensava que não tinha a capacidade/expertise/whatever para fazer; não tinha coragem de tocar um projeto por mim mesma. É a vontade de ajudar pessoas na área de Relações Internacionais a se desenvolverem, encontrar “caminho dos seus sonhos” (pode parecer clichê, mas é); é colocar projetos em prática; é sentir aquela vontade de colocá-los em prática. É compartilhar. Colaborar. My Ruanda Colab.

Hoje foi a minha primeira sessão fazendo isso. Como eu me senti firme, como eu me senti forte. Mas antes, algumas horinhas antes, me bateu um nervoso…como eu iria ajudar a pessoa se eu nem sabia como ajudar a mim mesma? kakakakakakaka. Como eu poderia dar informações precisas a pessoa, se eu não sou dona da verdade? E não sou, claro. Mas tudo isso passou quando eu vi o Diego na telinha, com aquele sorrisão, com vontade de compartilhar também.

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Meus rabiscos eloquentes conversando com Diego

Senti que era isso que eu queria da minha vida. Compartilhar com pessoas. E acho que, no fundo no fundo, o medo de seguir a carreira acadêmica, de ser professora e estar ali pelo aluno, com o aluno, foi questionado hoje quando eu senti essa alegria enorme de falar com ele. Da gente estar ali, trocando, nos escutando, pensando juntos, criando ideias, soltando ideias. Eu quero isso mais vezes.

Mas não pense que isso é tão fácil. Falando aqui agora, pensei em um outro post sobre a dificuldade de colocar os projetos em prática: e não é fácil. Às vezes não dá aquele ânimo fazer tudo sozinha – ou você não tem condições (financeiras, temporais, etc etc) para fazer tudo sozinha -, às vezes o ambiente não é favorável pra você colocar em prática o que você está pensando, às vezes você não tem (ou também não sabe) as ferramentas necessárias para colocar o plano/projeto/ideia em prática. E isso é desestimulante.

Mas eu acho que é isso, é encontrar pessoas inspiradoras que nos façam caminhar para frente. Que torçam por nós, queiram compartilhar conosco. Acho que isso dá uma fortaleza para a gente tocar os projetos, nos sentir vivos. Mas enfim, esse é um tema para um outro post porque isso vai dar pano pra manga, hahahaha.

Go Rwanda, My Ruanda!

Afinal, o conflito em Ruanda foi uma disputa étnica/tribal ou política?

Saber sobre a distinção entre essas duas perspectivas ajudam a ter um olhar específico para o conflito armado em Ruanda

Em algum momento vocês viram Hotel Ruanda, Ghosts of Rwanda, Black Earth Rising ou Rwanda: The Untold Story. Não? Então corre para ver porque vocês estão perdendo! Então, quando falamos em Ruanda, pensamos automaticamente do genocídio (ou seja, da destruição em massa de um grupo específico por motivações políticas, religiosas, etc) ocorrido em 1994, o qual os tutsis eram o alvo.

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Foto tirada pelo nosso querido Sebastião Salgado

A mídia na época propagou o conflito como étnico-tribal. As Nações Unidas, por meio do Conselho de Segurança, não quis admitir que se tratava de um genocídio o que acontecia em Ruanda, dificultando assim as ações imediatas para conter o conflito. Ora, meu caros, estamos falando de África. Mas é claro que, uma disputa entre grupos dentro de um país vai ser considerada como uma disputa tribal, correto?

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A questão é: os países africanos estão passando pelo processo de construção do Estado nacional, então as disputas internas podem ser caracterizadas nesse sentido, ou seja, disputa pelo poder do aparato estatal.

Pensando nesse sentido, o que aconteceu em Ruanda não foi uma disputa étnico-tribal, mas sim uma disputa política pelo aparato estatal. As categorias tutsi-hutus ao longo da história pré-colonial eram usadas como uma forma de referência social, aproximando-se de questões de classe. Com a chegada dos colonizadores, especialmente os Belgas que institucionalizaram a questão da etnia em Ruanda, essas categorias passaram a ser mais que classes sociais, instaurando-se assim como questões étnico-sociais.

Pensar que o conflito em Ruanda foi meramente uma questão étnica é desconsiderar outros fatores que estão acoplados no conflito, como o próprio cenário internacional pressionando o contexto interno no quesito econômico (crise de commodities), sociais (luta pelo poder), etc.

Então não, o conflito não foi étnico apenas, e sim teve como grande força as questões políticas!

Referências: Caso queiram mais informações sobre a temática, busquem os artigos do Filip Reyntjens e do David Norman Smith.

O que deixei pra trás

O que eu venho sentindo nesse mar de sentimentos

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Talvez um dia eu sinta falta de tudo o que existe hoje nos meus dias

E que também se esgotará, mais cedo ou mais tarde

Dando aquele ar de: Ufa! Acabou

Porém mais tarde naquele mesmo ano eu sentiria saudade do que terminara

Como se toda a vivência passada não fosse o bastante

Talvez por ali não estar

Deixando o mundo todo passar pela minha frente

Sem me conectar com ninguém de novo

Numa dessas eu fui além

E em outras fiquei sorrindo e chorando – sem derramar nenhuma lágrima

Tudo o que flui de dentro pra fora ainda permanece lá

Preso em meus olhos

Cada lágrima que não cai é um nó na garganta enquanto estou sorrindo

Parece que mesmo sozinho, eu não me expresso igual os outros

Não sai nenhum soluço

Mesmo na maior dor que já senti

Talvez isso seja um castigo

Como se existisse essas coisas

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