Afinal, o conflito em Ruanda foi uma disputa étnica/tribal ou política?

Saber sobre a distinção entre essas duas perspectivas ajudam a ter um olhar específico para o conflito armado em Ruanda

Em algum momento vocês viram Hotel Ruanda, Ghosts of Rwanda, Black Earth Rising ou Rwanda: The Untold Story. Não? Então corre para ver porque vocês estão perdendo! Então, quando falamos em Ruanda, pensamos automaticamente do genocídio (ou seja, da destruição em massa de um grupo específico por motivações políticas, religiosas, etc) ocorrido em 1994, o qual os tutsis eram o alvo.

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Foto tirada pelo nosso querido Sebastião Salgado

A mídia na época propagou o conflito como étnico-tribal. As Nações Unidas, por meio do Conselho de Segurança, não quis admitir que se tratava de um genocídio o que acontecia em Ruanda, dificultando assim as ações imediatas para conter o conflito. Ora, meu caros, estamos falando de África. Mas é claro que, uma disputa entre grupos dentro de um país vai ser considerada como uma disputa tribal, correto?

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A questão é: os países africanos estão passando pelo processo de construção do Estado nacional, então as disputas internas podem ser caracterizadas nesse sentido, ou seja, disputa pelo poder do aparato estatal.

Pensando nesse sentido, o que aconteceu em Ruanda não foi uma disputa étnico-tribal, mas sim uma disputa política pelo aparato estatal. As categorias tutsi-hutus ao longo da história pré-colonial eram usadas como uma forma de referência social, aproximando-se de questões de classe. Com a chegada dos colonizadores, especialmente os Belgas que institucionalizaram a questão da etnia em Ruanda, essas categorias passaram a ser mais que classes sociais, instaurando-se assim como questões étnico-sociais.

Pensar que o conflito em Ruanda foi meramente uma questão étnica é desconsiderar outros fatores que estão acoplados no conflito, como o próprio cenário internacional pressionando o contexto interno no quesito econômico (crise de commodities), sociais (luta pelo poder), etc.

Então não, o conflito não foi étnico apenas, e sim teve como grande força as questões políticas!

Referências: Caso queiram mais informações sobre a temática, busquem os artigos do Filip Reyntjens e do David Norman Smith.

O que deixei pra trás

O que eu venho sentindo nesse mar de sentimentos

sumidao.blog

Talvez um dia eu sinta falta de tudo o que existe hoje nos meus dias

E que também se esgotará, mais cedo ou mais tarde

Dando aquele ar de: Ufa! Acabou

Porém mais tarde naquele mesmo ano eu sentiria saudade do que terminara

Como se toda a vivência passada não fosse o bastante

Talvez por ali não estar

Deixando o mundo todo passar pela minha frente

Sem me conectar com ninguém de novo

Numa dessas eu fui além

E em outras fiquei sorrindo e chorando – sem derramar nenhuma lágrima

Tudo o que flui de dentro pra fora ainda permanece lá

Preso em meus olhos

Cada lágrima que não cai é um nó na garganta enquanto estou sorrindo

Parece que mesmo sozinho, eu não me expresso igual os outros

Não sai nenhum soluço

Mesmo na maior dor que já senti

Talvez isso seja um castigo

Como se existisse essas coisas

Ver o post original 396 mais palavras

Sobre quando temos que escrever e não temos ânimo

Entreguei meu Capítulo 1. YEEEY, finalmente. E o ânimo de começar tudo do zero para fazer o Capítulo 2? =(

Eis que estou aqui na frente do computador com a minha lista pronta com as leituras que eu tenho que fazer para o capítulo dois da minha tese. Quanto mais eu achava autores que falassem justamente sobre o recorte do capítulo, eu imaginava “meu Deus, eu não tenho tempo para ler isso tudo…meu Deus, EU NÃO TENHO TEMPO“.

Não sei vocês, mas estou correndo contra o tempo. Fiquei muito tempo estacionada no primeiro capítulo, como que tentando montar um quebra cabeça de mil peças pequenitas e não estava entendendo se estava indo no caminho certo ou se estava tudo errado – tinha medo, e o medo na maioria das vezes sempre me paralisa.

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O caos existencial de ter que lidar com tanta bibliografia. Foto: Pexels

Quando eu finalmente consigo entregar o primeiro capítulo, me sobe um pânico de tudo estar errado, de eu estar seguindo em um caminho errado, de os prazos estarem passando, de eu não ter tempo. Gente, se arrependimento matasse, acho que estaria escrevendo desde 2017, o ano que eu entrei no doutorado. Porque é isso, quanto mais você lê, mais aparece coisa para ler, mas aparece coisa pra fazer.

Como gerenciar tudo isso? Como não perder a motivação diante da situação? Porque fazer, temos que fazer…mas poderia ser prazeroso, poderia ser menos dolorido. Então se vocês tiverem dicas (que não seja sentar a bunda na cadeira e fazer, já estou fazendo isso) estou escutando vocês ❤

E go Rwanda, My Ruanda!

Sobre as idas e vindas da vida [preciso estudar!]

O tempo passa tão rápido que às vezes não conseguimos acompanhar as idas e vindas da vida.

Hoje vai ser o dia de um postzão com coisas gerais, que ao longo da semana eu vou entrando em cada tópico e apresentar mais detalhes a vocês.

Ponto 1: A última vez que eu escrevi aqui eu estava na Argentina. Minha culpa! Tanta coisa aconteceu que não consegui gerenciar o My Ruanda. Tenho que confessar que ter um blog atrelado a redes sociais é uma tarefa complicada, requer planejamento, tempo e motivação para não desistir do projeto no meio do caminho…. e foi o que aconteceu com o My Ruanda.

Eu gosto de escrever, mas não gosto de fazer toda a divulgação em Facebook, Instagram para que as pessoas possam ler. Claro que eu quero que outras pessoas leiam e que compartilhem suas experiências, sugestões comigo, mas esse processo de divulgação cansa, e não quero mais isso. Quero que o My Ruanda volte a ser como antes, simples.

Então quem quiser acompanhar o My Ruanda, vai ser do modo convencional (visitando o site) e é isso, se eu fizer vídeos, vou postar diretamente aqui – aqui vai ser a plataforma oficial.

Ponto 2: TENHO QUE ESTUDAR! Meu Deus, que dificuldade está sendo isso! Confesso também que não rendi tanto na escrita na Argentina. Consegui algumas leituras bem interessantes para o capítulo 1, mas a escrita escrita mesmo eu não rendi, então estou fazendo o trabalho de muitos meses em 2 meses – preciso terminar esse capítulo si o si!

Está sendo um processo bem difícil porque é exatamente no capítulo teórico que eu tenho mais dificuldade de desenvolver, de conectar as ideias e pensar na teoria para África. Bem, em um próximo post eu explico mais ou menos o que eu estou fazendo e conto com a sugestão de vocês.

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Esses são os dois pontos principais que senti que tinha que compartilhar com vocês ASAP, mas muita novidade, angústias, alegrias ainda estão por vir!

Acompanhe o My Ruanda Brasil!  cropped-c3adndice.png

Sobre o tempo de recomeçar [parte 2]

Estava lendo minha última postagem aqui no My Ruanda. Faz tempo. Esse tempo me ajudou a ter diversas experiências aqui na Argentina e a refletir sobre os meus objetivos.

No intercâmbio eu aprendi tanta coisa. Passei por tantas situações (questões sobre racismo, sobre reorganizar as ideias do meu projeto, me posicionar melhor teoricamente sobre meu objeto de estudo) que ainda estou processando tudo. Faltando quase 3 semanas para meu intercâmbio acabar, ainda vejo que falta tanta coisa para descobrir, para entender…para tentar.

Queria ter mais tempo para compartilhar tudo que eu percebi, que eu senti. Queria ter mais tempo para fazer as conexões teóricas necessárias para alavancar meu capítulo 1 (que vai ser um dos meus próximos posts). O propósito deste texto não é de aprofundar nessas questões agora, mas sim reafirmar que existem recomeços.

Existem recomeços. E é sempre bom contarmos com pessoas que estão juntos de nós para nos apoiar, sempre. Hoje em dia, o que eu tenho pensado como estratégia de desbloquear o meu capítulo de alguma forma é contar com essa rede de contatos para me ajudar a retornar a magia (e a solidão) da pesquisa.

E é isso que eu quero. Escrever algo que realmente importe, que realmente seja bem feito.

Sobre reorganizar a vida e seguir em frente

Foi como um forte vendaval que me deixou sem reação, me deixou com mais perguntas do que respostas.

Isso foi vir para Argentina. 5 de agosto de 2019: todo o meu sonho de intercâmbio começa e eu não sei controlar os tempos que eu tenho. Tudo passa tão rápido! As experiências, as buscas, os encontros, os desencontros. Vontade de escrever eu super tinha, mas não sabia como traduzir em palavras o que eu estava sentindo, passando. Consegui gravar um vídeo, mas acabei nem publicando, não sei o que me passou. Com a pesquisa, uff…um desastre gerenciar o tempo para ler o que eu ainda não estava satisfeita.

Bem, vou escrever um texto melhor falando sobre essas coisas, meu ponto agora não é esse. O ponto é que, com as experiências que eu tive, comecei a aprender (sim, há tempo sempre para aprender algo novo) a refletir sobre o que passou, tentar entender e seguir em frente. Seguir em frente. Com tudo, com a pesquisas, com as relações, com os objetivos de vida.

As vezes nos sentimos perdidos e isso nos paralisa, nos deixa patinando na nossa solidão acadêmica (ou na vida mesmo). O que eu aprendi foi que é sempre bom conversar com pessoas que estão realmente dispostas a nos escutar, a nos ajudar (qualquer um não vale a pena, pode piorar mais ainda a situação). Então aqui eu provei de conversar com os argentinos e com meus amigos no Brasil, tentar entender como eu poderia gerenciar esse turbilhão de coisas.

E Camila, por que você escolheu justamente essa temática agora para o texto no My Ruanda? Porque sempre dá pra recomeçar. As vezes não dá pra seguir onde paramos, as vezes tem pessoas que tem mais flexibilidade para fazer isso que outras, mas é isso. Sempre é o momento para recomeçar. Talvez não seja fácil, talvez você não tenha todos os recursos para fazer o que queira, não tenha apoio de pessoas ao seu redor….confie. Confie no seu objetivo e pense positivo, as coisas vão se arrumar.

Argentina

E se precisar de ajuda, estou por aqui.

O My Ruanda voltou mais uma vez. E sempre. cropped-c3adndice.png

#gorwanda #myruanda