[Sobre criar oportunidades] Volunteer Vacations (VV)

Se fala muito sobre justiça social e como podemos mudar o mundo em que vivemos, especialmente sendo antirracistas. Você sabe como fazer?

Pois bem! Eu me perguntei a mesma coisanão a parte de ser antirracista, mas de mudar a realidade em que eu vivo – e desde quando eu estava na graduação de RI eu pensava em como eu posso fazer isso. Como, COMO? É a grande pergunta. Às vezes pensamos que vamos fazer isso em grandes organizações (ONU e ONGs famosas), viajando pelo mundo…e está tudo bem, uma coisa não exclui a outra. Mas e quem não tem dinheiro para viajar? E quem ainda não tem as skills tão solicitadas para trabalhar em grandes organizações? Fica parad@?

Eu lembro que fui assistir o documentário/filme sobre a vida de Sebastião Salgado (O Sal da Terra, já farei uma resenha sobre) e eu chorei muito ao longo da exposição. Ao mesmo tempo que eu via a dor em Ruanda, eu via que ele conseguiu usar um instrumento para causar um impacto social: a câmera, a fotografia. Daí eu saí do filme ainda chorando, e perguntei para meu ex-namorado: e eu? como eu vou ajudar as pessoas? Eu não tenho nada!

Nossa…só de pensar nessa cena me dói o peito. Porque eu realmente tinha essa dor no coração por não me ver fazendo algo que eu acreditava que era que eu tinha que fazer, que era ajudar pessoas. Como eu estava fazendo isso, estudando puramente RI? Fazendo mestrado? Pesquisando? – vi que eu tinha mais perguntas do que respostas. Eu via a facilidade de algumas pessoas inserindo-se em lugares que eu não imaginava estar e eu questionava o porquê que eu não conseguia chegar, o que eu estava fazendo errado.

Hoje, no contexto que estamos vivendo do Coronavírus, eu entendi o porquê eu não assumia alguns espaços: oportunidades. nem todos tem a oportunidade de não se preocupar com o futuro financeiro, nem todos tem a preocupação de te aceitarem pela sua aparência, nem todos tem que comprovar constantemente quem é você – quem é você? de onde você é? o que você faz? você sabe falar várias línguas? já viajou para outros países? -> ou seja, constantes testes.

Por que eu estou falando sobre isso tudo? Porque exatamente quando eu me perdi, eu me encontrei. Nesse contexto infernal da pandemia, onde eu realmente tinha perdido o sentido do que eu estava fazendo, eu recebi oportunidades para ressignificar e assegurar o meu papel nessa luta constante. Comecei a fazer cursos na Volunteer Vacations (VV) que me proporcionou ter um conhecimento do campo que muitas vezes não vemos na academia e, mais ainda, ter contato com pessoas incríveis!

Ter experiência de questões humanitárias, ter um pensamento descolonizante e antirracista, ser um posicionamento face às questões globais…que organizações fazem isso? E ainda oferece bolsa? Pois bem, desconheço. Tive o prazer de ser indicada para participar desse universo tão mágico e eu convido vocês a darem uma olhadinha no site deles, vale muito a pena – e não, não é somente porque eu estou fazendo o curso, porque eu realmente consigo me ver adiante atuando, pensando em como eu posso fazer, independentemente de grandes organizações, o meu papel localmente como agente de mudança.

VV Ruanda
Mini participação no curso da VV falando sobre Ruanda

E no sábado passado (25 de julho) fiz uma minizinha participação na aula falando sobre Ruanda. Olha, que felicidade de participar e fazer o que eu tenho como objetivo com o My Ruanda: democratizar o conhecimento sobre África nas Relações Internacionais! Ah, esse dia 25 foi um grande dia (além de ser o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha)! Obrigada por tudo, VV!!

A questão do território no nosso cotidiano

Há algum tempo eu vendo refletindo sobre a questão territorial nas relações interpessoais. Por estar estudando território, associado as dinâmicas da globalização e a atuação de governos subnacionais (municípios e estados) no cenário internacional, me admira o constante papel do mesmo na formação pessoal e cultural das pessoas, além da sua reflexão no desenvolvimento local.

Duas situações cotidianas me levaram a pensar sobre território:
1. De onde você é? (escala nacional: Brasil)
Geralmente quando vamos para outra cidade/estado, sempre ouvimos ou perguntamos isso. Por que? Porque a formação identitária de um indivíduo está relacionada com as características locais territoriais: cultura, fala, muitas vezes a forma como pensar. É bem interessante a importância de alguém saber de onde você é e como aquilo tem um peso na formação das relações sociais e das percepções das pessoas.
2. Where are you from? (escala mundial: Ruanda e adjacências)
Vendo as mensagens que eu recebo na Fan Page do My Ruanda, vejo o quão importante se torna perguntar de onde eu falo, ou seja, o que vai me caracterizar. Relacionado com o primeiro ponto, em escala mundial somos representados (e, na maioria das vezes, nos identificamos) pelo território que viemos. Isso me faz pensar nos textos que li sobre o declínio do Estado-nação e a discussão incipiente sobre a questão territorial. Mas sim, deveria ser discutido mais (especialmente na área das Relações Internacionais) sobre o papel do território, especialmente nas discussões teóricas.

Depois que me enveredei nas referências bibliográficas nessa temática, acho fascinante a interação entre a escala local e global, além de suas implicações para a escala local. Estou lendo textos sobre desenvolvimento local e esse tema está diretamente ligado à questão territorial, reafirmando a importância do estudo da escala local para a compreensão das dinâmicas territoriais na era da Globalização.

O que vocês acham sobre isso? Já tinham parado para refletir sobre o peso do “da onde você veio”? 🙂