[Especial] Dois anos de Ruanda!

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Mercado de Kimironko

Na madrugada do dia 13 de novembro de 2015 eis que eu confronto o meu sonho: de ir à Ruanda. 

Me senti muito estranha, até porque não sabia direito onde eu estava (sim, estava no aeroporto, mas eu nem imaginava e não tinha assistido vídeos de como seria o aeroporto ruandês). Pensei: ok, vamos fazer as coisas principais e ver como se desenrola o resto. Ps: sobre trâmites de visto e como foi a minha experiência contarei em um próximo post!

Cheguei, peguei minha mala e uma moça me oferece uma tesoura. Sem entender, eu nego e agradeço, mas ela sinaliza apontando para a mala dizendo que não é permitido circular com plástico em Ruanda (a proteção da mala, e eu não tinha pensado nisso antes). Vou mais que depressa, pego a tesoura e tento tirar todo o plástico em volta da mala. Passo 1: check!

Vou caminhando para a saída e percebo que tem mais homens do que mulheres em volta – claro que fico com receio, se fico com receio estando no Brasil, imagina estando em um país sozinha, sem conhecer direito. Começo a ficar um pouco nervosa por chegar na saída e perceber que não tinha ninguém me esperando…oh ow, e agora, o que eu faço? Tinha combinado com o pessoal do hostel para me buscar no aeroporto, justamente por não conhecer o lugar e achar que chegaria a salvo no local que ficaria por um mês. Mas não tinha ninguém lá. Passo 2: non check!

Percebi que meu celular estava com pouquíssima bateria, já morrendo. Tentei ligar para o hostel pelo Skype e ninguém atendia. Meu Deus, que agonia, nada dando certo. Puff, o celular acabou a bateria! Olho para o segurança e tento perguntar onde tem alguma tomada (sendo que não sabia direito a palavra em inglês, rs) para eu poder carregar um pouco do celular. Lá vai eu tentando carregá-lo na esperança de falar com alguém. São 2 horas da manhã e nada definido ainda.

O segurança pergunta se eu estou esperando por alguém, se é da família, etc. Começo a ficar nervosa, tantas perguntas! Consigo falar com alguém do hostel e a pessoa me diz que não tem nenhuma reserva de busca no aeroporto, que eu vou ter que ir sozinha até lá. Ai meu Deus, como eu vou fazer agora? Pergunto ao segurança como trocar dinheiro, que preciso pegar um taxi e ele mostra algumas cabinezinhas ao lado de onde estava e vejo uma de câmbio: o cara está desligando a luz.

Corro até lá, falo “moço, por favor”, ele olha pra minha cara, liga a luz e se posiciona para atender meu pedido (#thanksgod!). Consigo trocar o dinheiro, yeeey!! Peço a ele para me indicar um serviço de taxi seguro e ele vai comigo até a porta, aponta para um cara de colete (que depois eu percebo que é a identificação/uniforme de taxi) e sigo prontamente para o carro, mas ainda com receio por ser noite e eu não saber direito o caminho para chegar até o hostel.

Vou conversando com o taxista, tentando saber algo sobre onde estou aterrisando, no local que pensei em tanto tempo visitar…não demorou muito tempo e chego no meu destino. Sinto um alívio no peito quando me dou conta e vejo um portão com a logo do hostel: cheguei na minha casa.

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Apesar da escuridão no dia, consegui identificar minha nova casa em Ruanda, onde eu conheceria pessoas maravilhosas.

Estava chateada porque o hostel errou na minha busca, mas algo me dizia para ir para o quarto, ter um bom descanso e start over no dia seguinte (ou em algumas horas, melhor dizendo).

Sim, cheguei. E não conseguia acreditar até eu acordar mais cedo para desbravar Kigali!

[Hoje] Realizando o sonho: GO RWANDA!

Sei que estou super endividada com vocês, mas vou colocar o My Ruanda em dias, especialmente porque o grande dia chegou! Estou aqui em Bruxelas, esperando para embarcar para Ruanda. A ficha ainda não caiu por completo, só cai mesmo (acredito) quando eu estiver lá, quando eu começar a viver localmente. (mesmo assim hoje eu já acordei nervosa pensando que eu ia perder o voo, Jesus!)
 
Chego às 00h55 no aeroporto de Kigali, então praticamente eu só vou poder contar alguns detalhes mais de como será minha rotina lá só depois de passar no Ministério da Educação (MINEDUC) e no Ministério dos Governos Locais (MINALOC). O que é previsto é que agora tenho que correr atrás do prejuízo para marcar as entrevistas e adjacências, uma vez que isso só pode ser feito a partir da permissão para pesquisar em Ruanda.
Como a minha companheira de viagem teve algumas complicações em Burundi (país fronteiriço com Ruanda, o qual esta havendo conflito interno por causa das eleições) terei que replanejar algumas coisas, como a acomodação. Iria fazer CouchSurfing durante os 14 dias que ela estivesse em Ruanda, mas agora estou repensando nisso. Por enquanto (os dias iniciais) ficarei no Discover Rwanda (Youth Hostel) até eu reformular a agenda e adjacências.
Tenho algumas novidades para contar, mas acredito que seja melhor contar quando estiver tudo certinho. Além disso, eu só tenho que agradecer por todo apoio, preocupação e solidariedade que vocês tiveram comigo, muito obrigada mesmo! ❤

Wish me luck!