Sobre o tempo de recomeçar [parte 2]

Estava lendo minha última postagem aqui no My Ruanda. Faz tempo. Esse tempo me ajudou a ter diversas experiências aqui na Argentina e a refletir sobre os meus objetivos.

No intercâmbio eu aprendi tanta coisa. Passei por tantas situações (questões sobre racismo, sobre reorganizar as ideias do meu projeto, me posicionar melhor teoricamente sobre meu objeto de estudo) que ainda estou processando tudo. Faltando quase 3 semanas para meu intercâmbio acabar, ainda vejo que falta tanta coisa para descobrir, para entender…para tentar.

Queria ter mais tempo para compartilhar tudo que eu percebi, que eu senti. Queria ter mais tempo para fazer as conexões teóricas necessárias para alavancar meu capítulo 1 (que vai ser um dos meus próximos posts). O propósito deste texto não é de aprofundar nessas questões agora, mas sim reafirmar que existem recomeços.

Existem recomeços. E é sempre bom contarmos com pessoas que estão juntos de nós para nos apoiar, sempre. Hoje em dia, o que eu tenho pensado como estratégia de desbloquear o meu capítulo de alguma forma é contar com essa rede de contatos para me ajudar a retornar a magia (e a solidão) da pesquisa.

E é isso que eu quero. Escrever algo que realmente importe, que realmente seja bem feito.

Sobre reorganizar a vida e seguir em frente

Foi como um forte vendaval que me deixou sem reação, me deixou com mais perguntas do que respostas.

Isso foi vir para Argentina. 5 de agosto de 2019: todo o meu sonho de intercâmbio começa e eu não sei controlar os tempos que eu tenho. Tudo passa tão rápido! As experiências, as buscas, os encontros, os desencontros. Vontade de escrever eu super tinha, mas não sabia como traduzir em palavras o que eu estava sentindo, passando. Consegui gravar um vídeo, mas acabei nem publicando, não sei o que me passou. Com a pesquisa, uff…um desastre gerenciar o tempo para ler o que eu ainda não estava satisfeita.

Bem, vou escrever um texto melhor falando sobre essas coisas, meu ponto agora não é esse. O ponto é que, com as experiências que eu tive, comecei a aprender (sim, há tempo sempre para aprender algo novo) a refletir sobre o que passou, tentar entender e seguir em frente. Seguir em frente. Com tudo, com a pesquisas, com as relações, com os objetivos de vida.

As vezes nos sentimos perdidos e isso nos paralisa, nos deixa patinando na nossa solidão acadêmica (ou na vida mesmo). O que eu aprendi foi que é sempre bom conversar com pessoas que estão realmente dispostas a nos escutar, a nos ajudar (qualquer um não vale a pena, pode piorar mais ainda a situação). Então aqui eu provei de conversar com os argentinos e com meus amigos no Brasil, tentar entender como eu poderia gerenciar esse turbilhão de coisas.

E Camila, por que você escolheu justamente essa temática agora para o texto no My Ruanda? Porque sempre dá pra recomeçar. As vezes não dá pra seguir onde paramos, as vezes tem pessoas que tem mais flexibilidade para fazer isso que outras, mas é isso. Sempre é o momento para recomeçar. Talvez não seja fácil, talvez você não tenha todos os recursos para fazer o que queira, não tenha apoio de pessoas ao seu redor….confie. Confie no seu objetivo e pense positivo, as coisas vão se arrumar.

Argentina

E se precisar de ajuda, estou por aqui.

O My Ruanda voltou mais uma vez. E sempre. cropped-c3adndice.png

#gorwanda #myruanda

Sobre transformar as histórias que vivi em Ruanda em um ebook

É, meus caros, eu vou para Ruanda. Mas antes, gostaria de compilar algumas histórias da minha vivência em Ruanda em forma de Ebook.

Estava pensando em formas de capitalizar para ir mais uma vez para Ruanda. Fiquei algum tempo pensando em algumas estratégias, mas nada me seduzia. Um dia, estudando sobre Marketing Digital, me veio a ideia de fazer um ebook e compartilhar minhas experiências no My Ruanda – não só experiências de viagem, mas os bastidores, planejamento de viagem e afins.

Então, ao invés de criar uma campanha de arrecadação de fundos, vou produzir o ebook e pedir uma quantia bem acessível para sua disponibilização.

O que vocês acham? O que vocês gostariam de ver no livro? *.*

Quem puder comentar, agradeço! cropped-c3adndice.png

#gorwanda #myruanda

[Literatura] Sobre o livro Tornar-se Negro

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Hoje eu vou falar de um livro que me prendeu a atenção desde o início. O devorei sem pena, li tão rápido que, para processar todas as histórias, comentários, ainda acho que terei que fazer uma nova leitura.

“Neste trabalho, a unidade está representada por dez histórias-de-vida de negros que compartilham o fato de estarem vivendo um processo de ascensão social numa sociedade multirracial, racista e de hegemonia branca que, paradoxalmente, veicula a ideologia de democracia racial, em contradição com a existência de práticas discricionárias racistas” (SOUZA, 1983, p. 70).

É difícil não se identificar com as histórias representadas no livro, histórias essas em fragmentos, baseadas em depoimentos reais, apenas com os nomes modificados. O interessante é que a autora escolhe uma história em especial para narrar ela completa. E o resultado é sensacional, impactante. Eu simplesmente ainda passo alguns momentos pensando na história…às vezes me vem a mente como reproduzimos certos padrões de comportamento inconscientemente, condicionados pelo racismo estrutural impregnado em nossa sociedade.

A explicação já quase no final do livro sobre o porquê de “tornar-se negro” é sensacional! É tomar consciência do processo ideológico sofrido na sociedade que foi descrita na citação anterior e “criar uma nova consciência que reassegure o respeito às diferenças e que reafirme uma dignidade alheia a qualquer nível de exploração” (SOUZA, 1983, p. 77).

“Assim, ser negro não é uma condição dada, a priori. É um vir a ser. Ser negro é tornar-se negro” (SOUZA, 1983, p.77).

Esse livro foi indicado por um amigo e eu fiquei muito feliz em aceitar o desafio de lê-lo. Contribuiu e muito para a minha percepção enquanto negra e acadêmica. Enquanto pessoa. Enquanto mulher. Sem mais delongas, isso foi um sneak peak (pedacinho) do livro para provocar vocês a buscar o livro e ler. VALE A PENA!

[Off topic] Sobre quando tudo parece estar dando errado

[Edit: post escrito em 21 de fevereiro e retomado hoje, vamos ver no que dá]

“Tem épocas que são apertadas. Que a gente luta contra o tempo e parece que mesmo assim não adianta. Que a gente tem tantas possibilidades (e Thanks God por isso!) que não sabemos por onde começar e o que escolher. Uff, perai, perai que eu preciso de um break!

É nesses momentos que precisamos ser pacientes com nós mesmos e tentar nos organizar da melhor forma possível, que traga tranquilidade e claridade. É fácil fazer isso, Camila? Olha, se fosse fácil eu não estaria com minha cabeça rodando com tanta preocupação, por isso que venho aqui escrever como uma fonte de liberação e uma forma de dialogar com pessoas.  No meu caso, dialogar me traz uma paz de espírito, acalma minha mente e faz com que eu consiga pensar melhor nas coisas que eu tenho que fazer.

Então, se você estiver se sentindo ansioso, com a mente tagarelando…”. Eu não sei o que eu ia dizer anteriormente, mas se você estiver assim, converse comigo, podemos ter uma troca bacana sobre a vida, sobre as angústias, sobre o que viemos enfrentando nesses tempos. Às vezes só faltam mais pessoas no mundo com mais paciência para escutar mais as pessoas do que, de fato, apresentar soluções ou piorar mais a situação falando coisas desnecessárias.

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Meu caderninho de páginas rosas que sempre me acompanha.

 Nessa época eu tinha muita coisa na minha mente. Tinha voltado da Colômbia, pensando em como desenvolver a minha pesquisa, em como conseguir dinheiro para ir para Ruanda, … isso tudo sobrecarrega a mente. Ficamos tão ansiosos para que tudo se concretize em um piscar de olhos que não sabemos que as coisas são desenvolvidas em processos, e temos que ter paciência. Paciência.

A palavra que me assombra. Mas tenho aprendido a lidar com ela, justamente compartilhando os meus anseios, as minhas angústias com outras pessoas, ou então em um caderninho. O caderninho me ajuda a rever algumas questões que me perturbavam, que eu tinha dúvidas, que eu tinha certezas…me acalma, me dá paz. Eu recomendo ter algum tipo de ferramenta para ajudar a reflexão diária, especialmente naqueles dias que achamos que tudo não está realmente dando certo.

Mas torno a repetir, vamos conversar? Vamos desenvolver aquele projeto que você tem dificuldades, pensar em uma alternativa para aquele problema juntos?

Tô aqui!