Sobre se sentir perdid@ na quarentena

Será que todo mundo está perdido como eu nessa quarentena? ~
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Sempre penso em possíveis posts para o MyRuanda, especialmente agora que estou trabalhando tanto com negritude, feminismo negro e afins. Nossa, fiz um curso sobre Filosofia Africana! Amanhã vou começar um curso sobre África na Política internacional, uaaau! Tudo que eu quero!
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Tudo que eu quero? Não sei. Essa quarentena me fez ver que muitas das coisas eu não posso controlar, inclusive os percursos da minha carreira. Me senti desanimada, desestimulada, sem cor. Como continuar estudando sem algo que me motiva? Qual é a verdadeira razão para estar fazendo tudo isso?
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Continuo (ainda) sem uma resposta concreta. Mas isso não me desmotivou a conversar com meus pares acadêmicos, me aprofundar mais sobre o pensamento feminista negro (vai ter muito post por aqui sobre isso) e (tentar) conversar sobre a saúde mental na academia. Isso é muito importante, gente.
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Eu amo postagens das pessoas sobre produções na pandemia, mas eu também vou postar sobre o outro lado da moeda porque é importante.

Sun - My Ruanda

Sobre quando temos que escrever e não temos ânimo

Entreguei meu Capítulo 1. YEEEY, finalmente. E o ânimo de começar tudo do zero para fazer o Capítulo 2? =(

Eis que estou aqui na frente do computador com a minha lista pronta com as leituras que eu tenho que fazer para o capítulo dois da minha tese. Quanto mais eu achava autores que falassem justamente sobre o recorte do capítulo, eu imaginava “meu Deus, eu não tenho tempo para ler isso tudo…meu Deus, EU NÃO TENHO TEMPO“.

Não sei vocês, mas estou correndo contra o tempo. Fiquei muito tempo estacionada no primeiro capítulo, como que tentando montar um quebra cabeça de mil peças pequenitas e não estava entendendo se estava indo no caminho certo ou se estava tudo errado – tinha medo, e o medo na maioria das vezes sempre me paralisa.

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O caos existencial de ter que lidar com tanta bibliografia. Foto: Pexels

Quando eu finalmente consigo entregar o primeiro capítulo, me sobe um pânico de tudo estar errado, de eu estar seguindo em um caminho errado, de os prazos estarem passando, de eu não ter tempo. Gente, se arrependimento matasse, acho que estaria escrevendo desde 2017, o ano que eu entrei no doutorado. Porque é isso, quanto mais você lê, mais aparece coisa para ler, mas aparece coisa pra fazer.

Como gerenciar tudo isso? Como não perder a motivação diante da situação? Porque fazer, temos que fazer…mas poderia ser prazeroso, poderia ser menos dolorido. Então se vocês tiverem dicas (que não seja sentar a bunda na cadeira e fazer, já estou fazendo isso) estou escutando vocês ❤

E go Rwanda, My Ruanda!

Sobre as idas e vindas da vida [preciso estudar!]

O tempo passa tão rápido que às vezes não conseguimos acompanhar as idas e vindas da vida.

Hoje vai ser o dia de um postzão com coisas gerais, que ao longo da semana eu vou entrando em cada tópico e apresentar mais detalhes a vocês.

Ponto 1: A última vez que eu escrevi aqui eu estava na Argentina. Minha culpa! Tanta coisa aconteceu que não consegui gerenciar o My Ruanda. Tenho que confessar que ter um blog atrelado a redes sociais é uma tarefa complicada, requer planejamento, tempo e motivação para não desistir do projeto no meio do caminho…. e foi o que aconteceu com o My Ruanda.

Eu gosto de escrever, mas não gosto de fazer toda a divulgação em Facebook, Instagram para que as pessoas possam ler. Claro que eu quero que outras pessoas leiam e que compartilhem suas experiências, sugestões comigo, mas esse processo de divulgação cansa, e não quero mais isso. Quero que o My Ruanda volte a ser como antes, simples.

Então quem quiser acompanhar o My Ruanda, vai ser do modo convencional (visitando o site) e é isso, se eu fizer vídeos, vou postar diretamente aqui – aqui vai ser a plataforma oficial.

Ponto 2: TENHO QUE ESTUDAR! Meu Deus, que dificuldade está sendo isso! Confesso também que não rendi tanto na escrita na Argentina. Consegui algumas leituras bem interessantes para o capítulo 1, mas a escrita escrita mesmo eu não rendi, então estou fazendo o trabalho de muitos meses em 2 meses – preciso terminar esse capítulo si o si!

Está sendo um processo bem difícil porque é exatamente no capítulo teórico que eu tenho mais dificuldade de desenvolver, de conectar as ideias e pensar na teoria para África. Bem, em um próximo post eu explico mais ou menos o que eu estou fazendo e conto com a sugestão de vocês.

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Esses são os dois pontos principais que senti que tinha que compartilhar com vocês ASAP, mas muita novidade, angústias, alegrias ainda estão por vir!

Acompanhe o My Ruanda Brasil!  cropped-c3adndice.png

Sobre reorganizar a vida e seguir em frente

Foi como um forte vendaval que me deixou sem reação, me deixou com mais perguntas do que respostas.

Isso foi vir para Argentina. 5 de agosto de 2019: todo o meu sonho de intercâmbio começa e eu não sei controlar os tempos que eu tenho. Tudo passa tão rápido! As experiências, as buscas, os encontros, os desencontros. Vontade de escrever eu super tinha, mas não sabia como traduzir em palavras o que eu estava sentindo, passando. Consegui gravar um vídeo, mas acabei nem publicando, não sei o que me passou. Com a pesquisa, uff…um desastre gerenciar o tempo para ler o que eu ainda não estava satisfeita.

Bem, vou escrever um texto melhor falando sobre essas coisas, meu ponto agora não é esse. O ponto é que, com as experiências que eu tive, comecei a aprender (sim, há tempo sempre para aprender algo novo) a refletir sobre o que passou, tentar entender e seguir em frente. Seguir em frente. Com tudo, com a pesquisas, com as relações, com os objetivos de vida.

As vezes nos sentimos perdidos e isso nos paralisa, nos deixa patinando na nossa solidão acadêmica (ou na vida mesmo). O que eu aprendi foi que é sempre bom conversar com pessoas que estão realmente dispostas a nos escutar, a nos ajudar (qualquer um não vale a pena, pode piorar mais ainda a situação). Então aqui eu provei de conversar com os argentinos e com meus amigos no Brasil, tentar entender como eu poderia gerenciar esse turbilhão de coisas.

E Camila, por que você escolheu justamente essa temática agora para o texto no My Ruanda? Porque sempre dá pra recomeçar. As vezes não dá pra seguir onde paramos, as vezes tem pessoas que tem mais flexibilidade para fazer isso que outras, mas é isso. Sempre é o momento para recomeçar. Talvez não seja fácil, talvez você não tenha todos os recursos para fazer o que queira, não tenha apoio de pessoas ao seu redor….confie. Confie no seu objetivo e pense positivo, as coisas vão se arrumar.

Argentina

E se precisar de ajuda, estou por aqui.

O My Ruanda voltou mais uma vez. E sempre. cropped-c3adndice.png

#gorwanda #myruanda

Sobre o nascimento do meu filho: projeto + capítulo 1

Eu fiquei em êxtase e sem saber o que sentir. Mas uma coisa eu tinha certeza: ele nasceu! ❤️

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Desde março de 2018 estou trabalhando na elaboração do projeto. Eu já tinha uma temática que queria trabalhar, mas sempre é um trabalho para sair do nível geral da coisa para ir para o nível específico. Pensei: o que de Ruanda é importante estudar? O que pode ser relevante contemporaneamente que vai enriquecer meu arcabouço teórico e iluminar os pensamentos de quem vai estudar África e Ruanda?

Escolhi continuar com o processo de reconstrução pós-conflito (nada mais contemporâneo que isso) e o processo de integração nacional e regional de Ruanda. Quando eu comecei a ler mais sobre as bases teóricas sobre Estado africano, me motivou mais ainda a querer saber mais sobre o tema. E enfim, cheguei ao meu objeto de pesquisa e estou me sentindo bem feliz com ele: ele me motiva.

Eu ainda quero escrever um post exclusivo sobre o processo de desenvolvimento de um projeto de pesquisa porque não é nada fácil. Tem pessoas que o processo flui de forma rápida, tem outras que precisam de um período de maturação maior para desenvolver o projeto. Mas geralmente não é fácil. Em um outro momento eu conto como foi minha experiência esse ano.

Para complementar o post, coloco aqui o que eu postei na minha conta pessoal do Instagram porque foi em emblemático o momento, foi logo após de imprimir as cópias do meu bebê!

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“Meu bebê nasceu! ❤️  Projeto + Capítulo 1 da tese.

Se eu não to acreditando que finalmente chegou o dia de vê-los impressos? Não mesmo! Se eu tô tão feliz de finalmente ver minha ideia criando forma? Com certeza!

Tô muito feliz por já ter uma estruturinha no papel do que eu quero fazer em Ruanda e como desenvolver; to muito feliz porque, assim como em 2012 e 2014, esse ano eu falei com toda convicção que ia para Ruanda. E vou. Vou voltar para o lugar que me realizei como pessoa e to ansiosíssima para isso.

Ps: olha a minha carinha de besta, rs.

A data? Ainda não sei, mas já ja sai!”

Go Rwanda, My Ruanda! cropped-c3adndice.png

 

“Eu não sei ainda o que é ser negra”: substratos de um convite 1

“Eu não sei ainda o que é ser negra” – foi uma frase que eu usei em uma conversa no WhatsApp.

Recebi um convite para participar de um bate-papo pós-filme na Mostra de Cinemas Africanos, no Capítulo, em Porto Alegre (RS – Brasil). Fiquei muito feliz, especialmente por ir falar sobre representatividade da mulher negra na academia (o tema geral é sobre “Representatividade feminina negra: desdobramentos entre África e Brasil”).

Mostra de Cinemas Africanos

Sempre conversei com meus amigos e afins sobre a questão da representatividade na academia. Algumas vezes isso me incomoda profundamente a ponto de me deixar sem graça e sem jeito em algumas situações, por ser “a diferentona”; outras vezes eu sinto ainda o incômodo, mas ajo como a pessoa representando por outras pessoas – aquele papel que eu gostaria que alguém tivesse feito por mim (que responsa, ein Camila? Rs! Brincadeiras a parte, SIM, é uma responsa e que pode nos deixar doentes por exigir tanto de nós, por sermos diferentonas sempre, por isso que é bom sempre refletirmos sobre o nosso papel em ocupar espaços e estarmos conscientes disso).

Mas um medo bateu em relação a minha participação. E se eu só contar minha experiência e não ser suficiente? E se eu não souber questões acadêmicas sobre negritude, sobre lugar de fala, feminismo negro (Djamila Ribeiro, Angela Davies) e outras questões que estão sendo discutidas e eu vivo bitolada no meu mundo acadêmico do outro lado de cá? E se eu não sei ainda o que é ser negra?

Essa pergunta, depois que eu falei ‘alto’ ou seja, enviei a mensagem ficou latejando na minha cabeça. E eu decidi ler mais sobre questões que me tocam, porque eu faço desse recorte social, mas não me envolvo. Fazendo uma digressão, percebi que não me envolvo em questões de negritude quando estava conversando na quinta-feira (06/12/2018) com Emílio, um moço que me viu com uma camisa africana (que ganhei do Lusitâneo, de Moçambique).

Ele estava me falando de alguns eventos que iam acontecer em Porto Alegre nessa temática e eu voando para o que ele estava me dizendo. Ele me perguntou: você atua em algum coletivo, grupo de pesquisa, etc (dentro dessa temática)? E eu olhei bem vidrada para ele, refletindo sobre aquela pergunta que ele fez, e respondi que não. De fato não participo. Tenho consciência das coisas que acontecem no nosso mundo porque eu também passo por isso, mas por alguns (pequenos) privilégios que ainda tenho com certeza as coisas que eu passo são diferentes do que outras pessoas negras passam. E eu me senti estranha, porque eu já tinha consciência que eu não me envolvia, mas isso ficou estampado na minha cara e mente. E me incomodou.

E desde lá eu comecei a pensar em alguma forma de me envolver mais nesse mundo, o qual eu faço parte, mas não entrei de cabeça nele. E desde que tive o insight de querer trabalhar com educação isso é para um próximo post que tenho a vontade de buscar mais conhecimento sobre outras temáticas além da minha e me envolver mesmo com ações presenciais e afins. Pensando nisso, para a minha participação do dia 11/12 no evento, comecei a ler livros e artigos pertinentes à temática. E sabe o que aconteceu?

Tô amando. To realmente amando expandir minha percepção ao lado de outras mulheres negras (atualmente estou lendo O que é lugar de fala?, da Djamila Ribeiro) e saber que, de fato, não estou sozinha nessa luta. Ainda me encantou mais que, como pesquisadora negra, vou estar representando o meu trabalho, ou seja, de pesquisadora negra que estuda África. E escolhi estudar África de coração, foi um chamado. E estou diminuindo meu medo, por meio da leitura, de participar deste evento maravilhoso que só vai me fazer crescer mais ainda!

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