Sobre quando temos que escrever e não temos ânimo

Entreguei meu Capítulo 1. YEEEY, finalmente. E o ânimo de começar tudo do zero para fazer o Capítulo 2? =(

Eis que estou aqui na frente do computador com a minha lista pronta com as leituras que eu tenho que fazer para o capítulo dois da minha tese. Quanto mais eu achava autores que falassem justamente sobre o recorte do capítulo, eu imaginava “meu Deus, eu não tenho tempo para ler isso tudo…meu Deus, EU NÃO TENHO TEMPO“.

Não sei vocês, mas estou correndo contra o tempo. Fiquei muito tempo estacionada no primeiro capítulo, como que tentando montar um quebra cabeça de mil peças pequenitas e não estava entendendo se estava indo no caminho certo ou se estava tudo errado – tinha medo, e o medo na maioria das vezes sempre me paralisa.

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O caos existencial de ter que lidar com tanta bibliografia. Foto: Pexels

Quando eu finalmente consigo entregar o primeiro capítulo, me sobe um pânico de tudo estar errado, de eu estar seguindo em um caminho errado, de os prazos estarem passando, de eu não ter tempo. Gente, se arrependimento matasse, acho que estaria escrevendo desde 2017, o ano que eu entrei no doutorado. Porque é isso, quanto mais você lê, mais aparece coisa para ler, mas aparece coisa pra fazer.

Como gerenciar tudo isso? Como não perder a motivação diante da situação? Porque fazer, temos que fazer…mas poderia ser prazeroso, poderia ser menos dolorido. Então se vocês tiverem dicas (que não seja sentar a bunda na cadeira e fazer, já estou fazendo isso) estou escutando vocês ❤

E go Rwanda, My Ruanda!

Sobre as idas e vindas da vida [preciso estudar!]

O tempo passa tão rápido que às vezes não conseguimos acompanhar as idas e vindas da vida.

Hoje vai ser o dia de um postzão com coisas gerais, que ao longo da semana eu vou entrando em cada tópico e apresentar mais detalhes a vocês.

Ponto 1: A última vez que eu escrevi aqui eu estava na Argentina. Minha culpa! Tanta coisa aconteceu que não consegui gerenciar o My Ruanda. Tenho que confessar que ter um blog atrelado a redes sociais é uma tarefa complicada, requer planejamento, tempo e motivação para não desistir do projeto no meio do caminho…. e foi o que aconteceu com o My Ruanda.

Eu gosto de escrever, mas não gosto de fazer toda a divulgação em Facebook, Instagram para que as pessoas possam ler. Claro que eu quero que outras pessoas leiam e que compartilhem suas experiências, sugestões comigo, mas esse processo de divulgação cansa, e não quero mais isso. Quero que o My Ruanda volte a ser como antes, simples.

Então quem quiser acompanhar o My Ruanda, vai ser do modo convencional (visitando o site) e é isso, se eu fizer vídeos, vou postar diretamente aqui – aqui vai ser a plataforma oficial.

Ponto 2: TENHO QUE ESTUDAR! Meu Deus, que dificuldade está sendo isso! Confesso também que não rendi tanto na escrita na Argentina. Consegui algumas leituras bem interessantes para o capítulo 1, mas a escrita escrita mesmo eu não rendi, então estou fazendo o trabalho de muitos meses em 2 meses – preciso terminar esse capítulo si o si!

Está sendo um processo bem difícil porque é exatamente no capítulo teórico que eu tenho mais dificuldade de desenvolver, de conectar as ideias e pensar na teoria para África. Bem, em um próximo post eu explico mais ou menos o que eu estou fazendo e conto com a sugestão de vocês.

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Esses são os dois pontos principais que senti que tinha que compartilhar com vocês ASAP, mas muita novidade, angústias, alegrias ainda estão por vir!

Acompanhe o My Ruanda Brasil!  cropped-c3adndice.png

4 anos de My Ruanda e 3 anos da volta de Ruanda

Parece que não, mas o tempo passa rápido! Eu ainda lembro quando eu estava planejando criar o blog do My Ruanda, em dezembro de 2014, de pensar em fazer a campanha de arrecadação e de falar para o mundo que eu gostaria de ir para Ruanda.

Tudo aconteceu tão rápido que eu ainda tenho a impressão que eu não aproveitei o suficiente, que tinha tanta coisa para ver, mas não deu tempo. Que ficar apenas um mês foi um erro, e sim deveria ter ficado no mínimo dois.

Mas é isso, apesar de todos os deverias, sobra demais vontade de voltar e fazer tudo que eu não fiz, redescobrir tudo que eu fiz, pesquisar, estudar, rever meus amigos, viver novas experiências. E isso que move meu ano de 2019.

My Ruanda Brasil wishes you a Happy New Year!

Eu estou muito animada para tocar o My Ruanda esse ano! E você, quais são seus planos, metas, sonhos? 🙂

Go Rwanda, My Ruanda! cropped-c3adndice.png

Sobre buscar livros de autores africanos no sebo

Um dos meus sonhos era ter uma biblioteca em casa. Depois de montar uma mini-biblioteca, agora estou focando nos livros relacionados à temática africana.

No post anterior eu contei que eu comprei o livro de Pepetela (As Aventuras de Ngunga) no sebo. E foi uma experiência bacana porque fui em um sebo, por acaso, e vi na vitrine o livro do Mia Couto – acho que um dos mais conhecidos autores africanos no Brasil, com a disponibilidade de livros seja em lojas, como em sebos. E outros autores africanos, como achá-los?

Depois de comprar no sebo. Dezembro, 2018.

Nesse sebo, fui recebida por um moço que pacientemente olhou a lista de 10 autores africanos que você precisa conhecer e foi olhando na loja para ver se encontrava algum deles na prateleira. Não conseguiu encontrar nada mais além do livro que estava na vitrine. Fiquei pensativa. Por que é tão difícil encontrar livros de autores africanos, sendo que muitos deles escrevem em português (Pepetela, Mia, Agualusa)?

Fui em um outro sebo do lado e lá já encontrei mais livros além do Pepetela que comprei: de J. M. Coetzee (Juventude; eu não conhecia esse autor) e o de Ishmael Beah (O Brilho do Amanhã; já conhecia o autor). Essa busca só me deixou mais animada ainda para fazer um tour por sebos e incentivar também que estas pessoas vejam que há uma procura por livros de autores africanos e/ou com temáticas africanas.

Não sei se anteriormente já existia uma procura, mas eu vou fazer minha parte. Porque eu quero que outras pessoas tenham contato com essa literatura. Ainda tenho os livros de Mukasonga (Nossa Senhora do Nilo e A Mulher de Pés Descalços) que comprei na Feira do Livro de Porto Alegre esse vai ser o tema – retroativo, hahaha – do próximo post e outros mais na minha mini-biblioteca de livros africanos.

E você, qual livro está lendo?

Go Rwanda, My Ruanda cropped-c3adndice.png

[Literatura] As Aventuras de Ngunga – Pepetela

Este ano eu aproveitei para comprar e ler livros africanos. O livro de Pepetela foi um deles.

As aventuras de Ngunga
Capa do livro

Este livro eu tive o prazer de encontrar em um sebo. Da década de 1980, essa edição tem letras grandes (adoro), confortável para ler e aquela pegada de livro antigo – óbvio que eu comprei na hora.

Um livro simples, com uma pequena história do pequeno Ngunga, com apenas 13 anos, que desbrava Angola no período das lutas de libertação. O livro é interessante por retratar um contexto histórico e, mais especificamente, a relação dos locais com os colonialistas. Achei fantástica as simples lições de vida que o livro traz!

Pepetela (sendo este o nome de guerra de Artur Pestana), era combatente na Frente Leste de Angola, escrevendo o livro na época que estava em combate. A linguagem do livro é simples e acessível, com um glossário no final do livro (ainda assim tinham algumas palavras que não tinha ideia do que eram), tornando a leitura prazerosa.

Não será numa parte desconhecida de ti próprio que se esconde modestamente o pequeno Ngunga?

Ou talvez Ngunga tivesse um poder misterioso e esteja agora em todos nós, nós os que recusamos viver no arame farpado, nós os que recusamos o mundo dos patrões e dos criados, nós os que queremos o mel para todos

Se Ngunga está em todos nós, que esperamos então para o fazer crescer?

(PEPETELA, 1987)

Por eu estar estudando a formação do Estado na África, ler este livro me ajudou a ilustrar as passagens teóricas que eu tinha em mente com uma retratação histórica do que foi o período colonial na prática. Simplesmente vale a pena ler este livro! Eu não vou nem contar muito sobre ele porque eu não quero dar spoiler, então fica a dica para vocês lerem!

Já tenho outro livro do Pepetela para ler – Mayombe – mas esperarei o ano virar para me dedicar às leituras africanas. E você, o que está lendo agora?

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Sobre a minha volta de Ruanda há 3 anos.

12/12/2015 – Há três anos eu voltava de Ruanda com o coração partido de estar indo. Deixava amigos, descobertas que tinha feito e trazia um coração cheio de esperança, alegria e gratidão.

Começo com um texto do meu Instagram pessoal que fala um pouco do meu sentimento:

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“Há exatamente 3 anos eu estaria voltando de Ruanda. 12 de dezembro de 2015.
#$%&*#@, quando eu vi o lembrete com uma foto de 3 anos atrás, meu coração chega estremeceu. Como o tempo passa rápido, quanta coisa aconteceu!
Me senti triste por deixar tanto tempo passar e não voltar ainda; ao mesmo tempo me senti feliz porque hoje eu estou mais madura do que eu fui, mais motivada e segura do que eu quero fazer.
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Ontem foi o dia da minha participação na Mostra de Cinemas Africanos, contando a minha experiência como acadêmica negra. Esse vestido que eu tô usando eu comprei em Ruanda. Que coincidência linda essas datas colidirem-se? ❤️ Que saudade!”

Que saudade! Que saudade, que saudade de toda a experiência que eu tive em Ruanda até ter ficado doente, rs, mentira! Voltar foi muito doloroso porque eu estava cansada, muito cansada pela diferença de comida, de estresse por causa da coleta de dados…então queria ir pra casa, mas não queria completar minha experiência lá, parece que eu não tinha aproveitado ao máximo possível.

Lembro muito do dia 12/12. Do sentimento de ir embora, da despedida do pessoal do hostel. De chorar no táxi a caminho do aeroporto. De chegar naquele aeroporto vazio para deixar aquele país que estava em meus sonhos.

Parti para a Bélgica sem muita vontade de dialogar. Mas me sentia diferente, me sentia confiante. Sentia que esse momento com pessoas parecidas comigo (negras) me deixou mais confiante, mas segura de mim, porque a atmosfera em Ruanda era muito diferente dos estereótipos que se pregam em nossa sociedade doentia e com um racismo estrutural.

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Voltando da Mostra de Cinemas Africanos. Dezembro, 2018.

Me senti querida sem ter que “fazer força’ para provar que valia a pena ser querida, mesmo sendo negra – ou seja, isso reflete a tamanha força que temos que fazer todo o santo dia para que as pessoas nos respeitem, para que as pessoas não nos rotulem meramente por causa da cor de pele. Ruanda me deixou relaxada nesse aspecto, me deixou viva, me deixou feliz.

E eu quero voltar para lá para renovar isso, para eu poder trazer esses ensinamentos para outras pessoas, outras meninas, mulheres que com certeza também passam por isso. Como teve uma vez em um texto no Facebook que eu compartilhei, às vezes cansa ter que lutar todo o santo dia por causa disso.

Mas eu me inspiro para lutar todos os dias não só por mim, mas pelas meninas/mulheres que me acompanham nesta luta.

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