[Documentário] Sobre o processo de assistir “Maya Angelou e ainda resisto”

Eu ainda estou com lágrimas nos olhos. Vivia na minha bolha fantástica para não perceber um talento tão estonteante como o de Maya Angelou.

Acabei de assistir o documentário. Há algum tempo estava evitando assistir filmes/documentários/peças audiovisuais que envolvessem a temática de racismo. Minha última tentativa tinha sido a série do Netflix Cara Gente Branca – parei no quarto episódio, não aguentei. E olha que, para algumas pessoas, não tinha nada de brutal. Mas pra mim tinha: ver pedaços de mim em quase todos os personagens. Não estava preparada para isso.

Ontem sofri uma grande decepção. Na verdade, a ficha caiu de uma grande decepção com uma pessoa. Decidi voltar para mim mesma e para o meu processo de conhecimento, aproveitar esse momento de dor, de ressiginificações, para conectar com partes de mim que andavam adormecidas – estavam ali, mas eu não queria lidar. Estava inquieta, passei o dia todo pensando no que fazer para cheer me up e não vinha nada na mente. Livros, séries…tentei retomar Black Earth Rising, mas sem sucesso – ver essa série mexe muito comigo (sobre o genocídio em Ruanda).

Resolvi pedir sugestões de livros no Instagram. E eis que uma alma generosa, a Cá, me indica o livro Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, da Maya Angelou. E eis que relembro dela, já tinha pesquisado sobre os poemas dela, e já tinha me encantado. Já estando triste, decido me afundar por inteiro e penso: esse é o momento de retomar minhas raízes e assistir algo. Coloquei o nome dela na busca do Netflix e apareceu este documentário.

Resultado de imagem para maya angelou e ainda resisto  O documentário Maya Angelou e ainda resisto é uma obra riquíssima em detalhes históricos, havendo uma interseção entre histórias como as de Malcolm X, King e James Baldwin – e eu não sabia nada disso. foi um choque acompanhar a saga desta mulher guerreira que se infiltrou em tantos recintos para entender a sua história, o seu lugar de fala nesse processo.

Ainda me encantou mais ainda que ela foi para África entender mais ainda seu processo de vida, suas lutas – o que eu fiz e que ainda é o meu desejo de morar na África. Acompanhar o processo dela de ocupação de espaços que muitos diriam que não eram para negros foi um exemplo rico de superação, força e solidariedade com outros que estariam por vir.

Como no próprio documentário é dito, é lindo ver o sentimento de gratidão por todos os ancestrais que passaram por situações diferentes para estarmos onde estamos agora. E é o que eu sinto a cada vez que venço uma barreira imposta por mim, sei que a força vem além de mim, vem de muitas mulheres, especialmente da minha família, que já lutavam por mim.

Hoje eu escrevo esse texto emocionada considerando todas as situações de descaso, de dúvida, de humilhação que eu e outras pessoas já passaram, agradecendo por esses seres de luz fantásticos que me protegeram e me deram condições melhores nos dias atuais. Cabe a mim continuar o trabalho deles. Obrigada!

Obrigada, Maya Angelou! 

PS: ASSISTAM!!