O que eu aprendi sobre o Mestrado

Coisas que a Camila do presente gostaria de dizer para a Camila que estava entrando no Mestrado.

Hoje vai ser um post meio nostálgico. Estava olhando umas fotos no meu drive e me deparei com a foto da minha turma do Mestrado. Fiquei olhando por alguns segundos, com aquele sentimento de que não sabia que metade das coisas fossem acontecer em 2 anos.

Turma de Mestrado em Relações Internacionais da UFSC, 2014.1 – Foto: acervo pessoal.

Não tinha ideia da pessoa que me tornaria hoje em dia. Olhando para essa carinha na foto, eu tenho ternura por ela ter tantos medos e inseguranças de estar trilhando no caminho das Relações Internacionais. Dá vontade de abraçá-la e dizer: tá tudo bem, você consegue!

Me mudar para o Sul, estar mais em contato com África, ir para Ruanda, escrever uma dissertação foram algumas das coisas que me aconteceram. Como eu lidei com isso? Eis o propósito desse post. Venho dar algumas dicas para vocês que querem seguir a carreira acadêmica, iniciando pelo Mestrado!

1. Tenha paciência com o seu processo de aprendizagem
Espero que você não esteja em uma turma que seja competitiva – essa é a marca dos alunos de Relações Internacionais, infelizmente. Caso você esteja, não se compare com seus coleguinhas. Se eles se mostrarem os sábios, que domina todas as áreas possíveis de RI, não se preocupe. Foque no teu processo e não se compare com ninguém. Fique feliz com suas pequenas vitórias e siga em frente!

2. Faça um planejamento do que você quer fazer em dois anos
Parece que não, mas o tempo passa muito (muito!) rápido em dois anos! Parece que você entra o mestrado já para sair! Pensando nisso, se você conseguir, faça seu cronograma/planejamento antes de entrar no mestrado, assim você saberá seus anseios, expectativas e acomodará em semestres as atividades que objetiva fazer.

3. Tente unir a teoria e a prática
Siiim, acho muito importante! Nosso curso é bem teórico, então por que não fazer uma ponte entre a teoria e a prática? Caso consiga fazer pesquisa de campo, seria uma boa forma de se aproximar mais da prática do seu enfoque de estudo!

4. Valorize a participação em eventos
Tudo bem que participar de eventos envolve custos, mas eu acho um ambiente interessante para o intercâmbio de ideias, de networking e de atualização de temáticas no campo das RI. Além disso, alguns programas tem uma cota para eventos que você pode solicitar – o valor não é muito, mas já é alguma coisa para você não arcar com o custo sozinh@.

5. Publicações, publicações!
É uma coisa que não me atentei desde a graduação e, caso você queira ser professor/professora, precisa prestar atenção nisso. Também não estou de acordo com aquelas pessoas que vivem para publicar, as vezes resquentando coisas que já escreveram. Acho que as coisas tem que ter um equilíbrio – a medida que você puder fazer isso. Então, atente-se à prazos de revistas, publicações em anais de eventos, enfim, se organize já no início do mestrado para isso. Outra coisa que pode te ajudar são os artigos finais das matérias: ao invés de você escrever e não aproveitar para nada, por que não fazer um artigo bacana, dentro de sua temática de pesquisa, e buscar uma plataforma para ser publicado?

6. Faça estágios docentes
Infelizmente a maioria dos cursos de RI não tem matérias voltadas a práticas pedagógicas, então a máxima aproximação a isso que você terá será com os estágios docentes. Então deixe de fazer, mesmo que não seja obrigatório – algumas bolsas o estágio é obrigatório.

7. Se envolva em projetos de extensão/grupos de pesquisa
Esse ponto é bem importante! Dependendo do tema que você esteja estudando, talvez não tenha algum grupo de pesquisa que você consiga encaixar-se, mas é interessante, na medida do possível, estar vinculada a algum grupo. Seus pares de pesquisa estarão lá, o fluxo de informações que sejam relevantes para a sua pesquisa também, enfim, é uma forma de você ser conhecid@ como pesquisador/pesquisadora.

8. Escolha um tema que te mova
Ah, esse é um dos principais pontos! Por mais que as coisas não estejam indo bem no Mestrado, se você tem uma pesquisa que te incita a buscar, a escrever mais, isso vai ser seu fator motivador a seguir adiante com as suas pesquisas, nos dias de nuvens e nos dias de sol. Claro que temos que estar alinhados de acordo com as pesquisas dos orientadores ou das linhas de pesquisas que nos inserimos, mas pense nisso. Se não te dá um calor no coração, se não te causa pequenos gritos internamente na hora de achar as respostas para as suas perguntas, talvez você poderia buscar outra temática/enfoque para estudar.

Esses foram os pontos que vieram a mente quando eu pensei no Mestrado! Caso vocês tenham algum ponto a considerar, me fala que eu faço uma segunda parte para falarmos sobre isso, ok? E lembre-se: se algo tira a sua paz, tente estar a uma distância segura para lidar com isso!