Sobre o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha

25 de julho, dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. E o que temos a ver com isso?

Já tem alguns anos que ouço falar nesse dia, mas não percebia um destaque no âmbito da mídia em relação à isso. Passava, acontecia, e nada era falado, debatido, reflexionado. Isso me incomodava, como tantos outros dias temáticos criados para reconhecer a importância de algo ou marcar datas que foram importantes. Mas e o dia internacional da mulher negra, o que passa com ele?

Em 1992 aconteceu uma reunião, que reunia mulheres negras latino-americanas e caribenhas, para justamente falar sobre as desigualdades existentes no sistema, e o quanto há ainda muito trabalho a ser feito para minimizar essas desigualdades. Com a importância desse encontro, foi batizado o dia 25 de julho como conhecemos hoje.

Ainda mais interessante é que em 2014, durante o governo Dilma, foi sancionada uma lei que instaurava também o dia 25 de julho como o dia Nacional de Tereza de Benguela. Mas que raios é ela, você a conhece? Como tantas outras mulheres negras invisibilizadas, Tereza foi escolhida para mostrar que sim, além de Zumbi dos Palmares e outras figuras masculinas na nossa história, também existiram mulheres que lutaram na resistência – e negras.

Tereza de Benguela foi líder do Quilombo de Quaritetê, após a morte do seu marido. Dizem que ela foi morta em 1977, mas não sabem ao certo as causas da morte. Enquanto o quilombo, foi atacado diversas vezes, resistindo até 1795, ano da sua extinção. Realmente eu sei muito da história e gostaria demais saber detalhes sobre, então quem tiver livros para indicar ou documentários, só me chamar.

Bem, essa é a parte histórica, Camila. Então, o que isso contribui para o nosso dia-a-dia? Nooossa, contribui por demais! Hoje foi um ano que, pra mim, foi histórico no quesito de representatividade da mulher, especialmente da mulher negra. Talvez por eu estar mais envolvida diretamente nas redes sociais e militando (da forma que eu posso) eu tenha visto mais coisas, mas com as manifestações antirracistas nos autodefinimos mais ainda para a nossa comunidade preta – falamos para nós mesmas que não estamos sozinhas!

Flyer 25 de julho

Pela primeira vez eu participei de movimentações em relação ao dia. Fui convidada pela futura psicóloga Karen Barcelos para falar sobre repensarmos o lugar da mulher negra na sociedade. Foi uma experiência muito linda porque éramos duas mulheres negras compartilhando experiências, mesmo que de áreas, idades distintas. Consegui me ver nela e foi um bom momento para eu renovar as energias para seguir na luta, para seguir na academia. Não vou mentir que me emocionei no final da live, ah…foi como um presente estar ali!

Antes disso (às 13h) tinha colocado minha avó para falar em uma live no Instagram sobre a experiência dela como mudar negra – pra que melhor pessoa para falar de movimentações sociais de classe, mesmo sendo mulher e negra? Tive feedbacks importantes, especialmente por considerar os passos dos nossos ancestrais, de pessoas mais velhas. Imagina se está ruim para a gente, imagina como estava para eles? É agradecer aos ancestrais por todo o caminho percorrido.

Live Minha Avó post

E enfim, isso justifica também a minha postagem fora do prazo porque eu sou péssima em me organizar em datas comemorativas, mas sigamos aqui, tinha que parar e fazer um post bonitinho contando essa experiência que realmente mudou os significados e minha percepção em relação a esse dia.